Às vezes, dá saudade. Saudade do teu cheiro, do teu abraço, do calor da sua pele, do seu jeito de fazer carinho, do seu jeito de fazer amor.
Você não era a pessoa certa, ou talvez era, e eu não era, conseguiu entender? Nem eu, mas mesmo que eu quisesse acreditar muito que era você, alguma coisa lá dentro sempre me dizia que não, mas eu sempre fingi não ouvir.
Mas pode ter certeza, meu bem, fomos inesquecíveis, tanto você, quanto eu, sei que nunca mais vamos sentir nossos gostos por aí, não importa quantas bocas a gente beije, quantos corpos a gente se afunde, nunca mais aquele jeito, nunca mais aquela sintonia, nunca mais aquele calor.
Nunca mais é difícil, né? Você se apaixona novamente, descobre outra forma de transa deliciosa e, ainda assim, sente saudade, ainda assim, não tem certeza se acredita no Nunca mais, mas tem certeza de que foi a melhor escolha a fazer.
Eu quero manter o Nunca mais, porque meu corpo já não estremece quando você me toca, porque eu já não sinto vontade de morder a tua boca cada vez que ela me chama, porque eu já não sinto mais seu cheiro por aí.
Sabe o que eu ainda amo? As lembranças. E sabe o que eu ainda odeio? As lembranças.
Você tirou o melhor e o pior de mim.
Eu amo o que a gente foi, amo a transformação que fizemos uma na outra, a evolução que a nossa convivência nos trouxe, amo o sentimento de família, amo lembrar da foda deliciosa que a gente tinha, teu gosto, a forma que você me engolia.
E eu odeio... Odeio o que a gente foi, porque nunca fomos o que eu esperava, aliás, você nunca fez questão de se esforçar pra suprir alguma necessidade minha, diferente de mim que sempre me coloquei de lado por você. Odeio a transformação que fizemos uma na outra, porque você levou uma parte de mim que eu sinto falta, odeio porque eu nunca mais vou acreditar no amor do mesmo jeito, odeio porque não sei se me transformei em alguém que eu gosto hoje. A evolução que a nossa convivência nos trouxe, odeio isso, odeio engolir tudo pra não fazer mal pros outros e esquecer do mal que eu faço a mim mesma, se isso é evolução, eu preferia continuar sem o 1%. Odeio o sentimento de família, porque mais do que me perder de você, doeu perder a proximidade com a nossa filha, doeu envolver ela no meio da nossa confusão, doeu a responsabilidade que ela teve que encarar, e dói de uma forma insana a distância. Odeio lembrar da foda deliciosa que a gente tinha, teu gosto, a forma que você me engolia, porque esse pensamento sempre me leva ao que mais me doía em você, os Nãos, os tantos Nãos que eu ganhei de você, o quanto eu me senti rejeitada, horrível, ruim de cama, sozinha e sei lá mais o quê. O quanto eu me coloquei pra baixo porque você não me queria tanto quanto eu te queria, isso doeu, moça, mais que tudo.
Você me traiu, não com outra pessoa, traiu a nossa lealdade, a nossa ligação, a nossa irmandade. Eu pensei que você não podia me doer mais depois de todo esse tempo, mas doeu. Me entregar aos leões foi uma atitude covarde, e você conseguiu me fazer sentir as únicas coisas que eu nunca senti por você: raiva e desprezo.
Isso é triste, sabe? Mesmo no fim, imaginei que a gente pudesse ser muito mais. Mas não nessa vida, nessa vida eu redescobri um amor lindo que não me faz refém e o Nunca mais prevalece pra você.
(Fabi Tavares)


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