
Desculpe, estranho, eu voltei mais puro do céu...
(Nenhum de nós - Astronauta de mármore)
Eu acho que não nasci pra sentir. Ou nasci pra sentir demais. Não sei. Só sei que vez em sempre, o sentir não dá certo pra mim. As pessoas tem medo, acredito eu. Medo de deixar que o sentimento cresça, medo de que doa, medo de mudar, de voar, de ser louco. Porque?
Quando é bom demais, elas simplesmente recuam achando que vai acabar, mas quando é ruim demais, reclamam amarguradas do quanto Deus é ingrato. Nunca satisfeitas. Nunca inteiras.
Porque recuar se está muito bom? Porque não se entregar? Porque morrer de medo que acabe, invés de viver cada segundo do momento presente?
Amor, realmente, não tem nada haver com certeza. Tem haver com explosões, com fúria, agonia, intensidade, ansiedade, imensidão, tranquilidade, lua. Amar é estar em erupção ao meio dia e ser calmaria ao meio dia e dez. Não é constante, oscila, aumenta, diminui, muda, volta, vibra. E nunca, nunca sai de lá. Apaga, sim, em determinados casos, mas deixa as cinzas, dessas que vento nenhum leva. E eu sou um moço, que carrega um carrossel de sentimentos dentro do peito. Vez enquando tento dividir com as pessoas que passam no caminho, mas a maioria diz que é muito grande pra carregar, isso mesmo eu oferecendo só um pouquinho. Poucas aceitam, e essas poucas se assustam depois e saem correndo, com medo do tanto que o pouquinho de sentimento é capaz de crescer. E eu continuo caminhando só, com esse momento de sentimentos guardados aqui dentro. Cada um mais bonito que o outro, sabe? Mas tão sozinhos que, vez ou outra, ficam esmorecidos, cabisbaixos. E meu semblante fica assim, sem toda aquela cor, preto e branco, que nem o coração do palhaço apaixonado a observar a trapezista. O palhaço, que é todo colorido por fora e que faz todo mundo rir, guarda um coração ressequido e sem cor, por não ter o amor, daquela beleza de menina-com-nome-de-flor, que voa feito estrela num céu de picadeiro. Triste palhaço. Mas vez enquando, lá de cima daquele céu de lona, a menina-com-nome-de-flor sorri um sorriso de lua, que faz brilhar os olhos tristonhos do palhaço, faz luzir lá dentro do velho coração preto e branco, um vermelho rubro, cor-do-que-é-intenso. E o palhaço que carrega o carrossel de sentimentos, suspira sem saber, naquele cantinho escondido do circo: Tanto, tanto aqui dentro, mas nada tão bonito quanto aquele olhar...
E ele reza baixinho, pra um dia tomar coragem e falar olhando nos olhos-de-lua daquela moça: Faz do teu coração o meu picadeiro e me deixa esse palhaço te amar?
Prometo te roubar sorrisos todos os dias-noites-minutos ao teu lado.

10 comentários:
Fez um retrato apaixonante
sobre o sentir...
Deleite, encanto.
Prazer, menino intimidador ;)
Um beijo.
p.s: muito obrigada pela visita, volte mais vezes...
"Amar é estar em erupção ao meio dia e ser calmaria ao meio dia e dez. Não é constante, oscila, aumenta, diminui, muda, volta, vibra. E nunca, nunca sai de lá."
Eu fui saber disso tem alguns poucos dias. A maneira como isso bole do lado de dentro, os efeitos colaterais além-poesia. Isso tudo é assustador. Assustador demais.
Outra coisa que achei linda, nas tuas palavras, foi a maneira que você encontrou de dizer que é puro amor. O fato de entregar um pouquinho e alguns não saberem segurar. Imagina se transborda, moço?
No circo, sou a bailarina desequilibrada, com um coração trapezista, que torce por finais bonitos entre o palhaço e a menina-com-nome-de-flor.
Nós, que nascemos para sentir demais, sorrimos enquanto dói. E amarramos o medo num canto fundo, que é para sabê-lo ali, mas não deixá-lo tomar conta do que é lindo.
Um abraço, moço.
P.S.: Tua casa, aqui, tem cheiro de nova. Já abri janela pra espiar teu quintal, aqui. É bom ser vizinho, de me ver um pouco espelho nas tuas letras. E brindo esse encontro te entregando uma flor. É a primavera que chegou, enfim.
Texto bonito demais, senhor Intimidador... rs
Beijo daqui prai...
Tão lindo! Incrivel mesmo! Só num to sabendo comentar pq acabei de acordar e :) kkk ♥
Que a coragem te visite
o mais breve possível, para a sua menina com nome de flor desfrutar desses sentimentos bonitos de que você tão bem fala.
Fiquei muito contente com sua
visita no meu blog, e de igual forma, o tornarei favorito.
Simpatizei muito com você.
Boa Sorte!
*
Não preciso nem falar o que eu achei né? Lindo, lindo
conseguiu prender minha atenção!
escreves muito bem.
bjos, voltarei!
^^
=*
É a primeira vez que venho aqui e suas palavras são tristes mas encantadoras. Dá medo de sentir, de perder.. e vontade de amar e amar.
PArabéns pelas palavras...
Nossa isso foi lindo ! me deu um conforto que nenhuma música tinha conseguido , Obrigada !
Beijo
Conseguiu expressar muito bem o que eu penso sobre o amor nesse pequeno trecho:
Amor, realmente, não tem nada haver com certeza. Tem haver com explosões, com fúria, agonia, intensidade, ansiedade, imensidão, tranquilidade, lua. Amar é estar em erupção ao meio dia e ser calmaria ao meio dia e dez. Não é constante, oscila, aumenta, diminui, muda, volta, vibra. E nunca, nunca sai de lá. Apaga, sim, em determinados casos, mas deixa as cinzas, dessas que vento nenhum leva.
Adorei!
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