domingo, 27 de setembro de 2009

NOSSA CASINHA PEQUENA...

... parece vazia sem o teu balé.

(Teatro Mágico - A balarina e o soldado de chumbo)

E o que falar quando tudo acaba? O que fazer? Qual próximo passo a dar? Ainda há caminho? Se não há, não existe próximo passo. Tudo se perdeu, e eu fiquei aqui procurando o porquê de tantos buracos entre nós. Tantos buracos que eu fiz questão de negar que existiam. Buracos que se fizeram presentes-latentes-estúpidos. Tantas coisas pequenas que podiam ter sido caladas pelo simples fato de que nem sempre tudo pode ser como se quer. É preciso que todos os lados colaborem, é preciso se doar, a entrega faz parte de um relacionamento que quer dar certo... Me diz, cadê o nosso brilho? Aquele que fazia qualquer passante parar pra nos olhar e ficar admirado com a quantidade de amor que carregavámos nas mãos. Onde está aquele sorriso que trazia a esperança de que tudo sempre podia melhorar? Independente de qualquer problema, éramos maiores. Lembra? Lembra de como eu te olhava com aquela cara de bobo te roubando sorrisos? De como eu não cansava de dizer que te queria? Como eu te precisava, menina... como ainda te preciso, mas não posso mais...

O palhaço teve que escolher entre si mesmo e a trapezista, logo ele que sempre escolhia a ela sem pensar duas vezes... dessa vez precisou ponderar... e doeu, está doendo... o caminho se perdeu entre olhos-fechados-pra-não-ver e palavras-presas-entre-os-dentes... as lágrimas rolam disfarçadas de sorrisos... o coração preto e branco, vai ficando cada vez mais esfumaçado... E o que fazer com essas palavras desordenadas que nem sequer conseguem se transformar num texto coerente? Apenas palavras, apenas uma dor-tristeza-saudade. E que passe logo, pra que palavras bonitas voltem a brotar nessa primavera bonita em que até uma flor bonita eu já ganhei do quintal da vizinha. Que as flores deixem seu cheiro forte por aqui e como diz Caio... Que seja doce...

E o palhaço volta a ser sozinho. Alguém ai sabe como colorir um coração?

6 comentários:

Ni ... disse...

Existem várias maneiras de colorir um coração...
Uma é deixar que o que passou volte a se reapresentar...
Ou então pode achar uma nova cor, aquela que vai tornar tudo tão vibrante que não vai conseguir lembrar de uma época onde tudo era cinza...

Sabe, tudo depende do quanto realmente queremos buscar o colorido... se realmente quiser, tenho certeza que encontrará...!

Saudade deste palhaço com carinha de fofão... rs

Beijo e mais beijos

WOLF disse...

Desculpe minha ousadia Sr. Intimidador, mas eu queria dizer, a respeito do teu comentário deixado no Líricas, da Jaya, que eu não poderia concordar mais contigo:

"Amor é coisa de louco, dona moça. Não é coisa para os normais, não. A-bun-dan-te demais, sabe?

Se tranborda, menina, os outros saem correndo de medo de você. O que é bonito assusta mais do que o que é feio. Porque o feio, vê-se com frequencia, o bonito, de tão raro, é assustador. Infelizmente. E amar é tão, tão bonito..."

Perfeito o que tu escreveste. Concordo inteiramente com a tua observação. Enfim, foi um prazer. E que belo texto este aqui, também!
Parabéns!

Bandys disse...

Depende. Depende de quem vai colorir esse ♥. O palhaço é criativo..
O sonho é o viveiro da esperança.
No imenso viveiro do sonho nascem tenros rebentos de esperanças, e os brotos crescem alimentados pelo sonho. Eles podem começar a colorir, quem sabe moço?

Beijos

Jaya Magalhães disse...

Como assim você escreve um texto ecoando tudo o que minha alma resolveu latejar hoje? Como você expõe, entre dedos, todos esses sentidos tão certos, que enumeram minhas estradas doídas?

Moço, porque nossos corações se encontraram logo nessa curva, assim?

Não sei mais o que comentar. Talvez eu devesse trazer meu texto de hoje pra cá, daí você entenderia todo esse tum-tá desritmado que exercita o amor desmedido que me veste. Que vai sempre me vestir, e que, como você disse, não souberam segurar quando derramei. Porque assusta.

Tudo passa, sabe? Mas as coisas lindas hão de ficar, infinitamente. Ainda bem. E aquela parte, aquela parte que amamos naquele alguém. Aquela parte dele que foi nossa, não vai nunca deixar de ser. Amor é coisa de eternidade.

Toma aqui, da minha aquarela. Meu nariz tá pintado, vê? Borremos o mundo com nossa poesia avessa ao que eles pedem. Derramemos todo esse amor-demais, e quem souber segurar que segure.

Espero tua estrela. E que aquela flor saiba germinar outros tantos brotos coloridos.

Carinho.

B.Bonini disse...

Prazer, primeira visita.

Ótimo texto cara. "O palhaço teve que escolher entre si mesmo e a trapezista" adorei essa imagem!

Sofremos, que bom! Pior seria estarmos mornos, anestesiados!

abss

Nay disse...

Te amo, meu queiroso.. deixa eu colorir seu coraçãozinho? =p