sábado, 14 de novembro de 2020

Sem fim. E fim.

 Moça;

O que você faz quando percebe que estrapolou todos os seus limites?

O que você faz quando passar por cima de si mesmo se torna inviável?

O que você faz quando não consegue mais por o que a outra pessoa sente em primeiro lugar?

O que você faz quando o nó na garganta não te deixa mais respirar?

O que você faz quando percebe que não consegue mais deixar pra lá todas aquelas coisas que te machucam? Todas aquelas palavras que te adoecem aos poucos?

O que você faz quando a confusão mental já está tão insuportável que começa a se mostrar em sintomas físicos?

O que você faz quando percebe que os sonhos estão se desfazendo dentro de você? Quando você começa a sonhar outros sonhos?

E o que você faz quando apesar de tudo, ainda existe bem lá dentro um não querer magoar, mesmo que com isso você se magoe?

E então, o que você faz?


Eu tentei, moça, juro que tentei. Dei o meu melhor pra você e sei que você também deu o seu melhor pra mim, mas eu sofro de INTENSIDADE. Eu queria mais, muito mais de você e eu sei que você poderia me dar mais, mas escolheu não fazer, porque por mais que você negue e tente me dar seus motivos, a vida é feita de escolhas. E eu respeito as suas.

O pra sempre acabou, e eu achei que estaria mais perdida do que me sinto, não ter mais você parecia algo impossível, e (in)felizmente não é. 


No começo a culpa me consumiu. 

Culpa de quê? De não sentir.

De não sentir mais vontade de te tocar, de te abraçar, de te beijar, não sentir mais vontade de estar ao teu lado. Essa culpa doeu/dói insistentemente aqui dentro. E você faz questão de enfiar o dedo na ferida sempre que pode, não por mal, porque eu não consigo ver maldade em você, mas porque quando machucam muito a gente, machucamos de volta, e eu sei que estou te magoando muito no momento.


Eu me pergunto como você não percebeu. 

Você me pergunta porque eu não conversei.

Eu acho graça. Sabe porquê? Porque eu falei, inúmeras vezes, do quanto eu te precisava. E o que você fez? Nada. Você diminuía o que eu sentia e eu fui ficando tão pequena que me calei. Em todos os sentidos. Eu que sempre fui muito, que sempre pequei pelo excesso, me sentia nada. E o nó na garganta foi crescendo. O tempo foi passando, as mágoas aumentando. Vez ou outra eu ainda tentei falar, tentei chegar, mas era igual, nada mudava. Você me queria em pensamentos. Eu te queria ao vivo e a cores.

O nó me sufocou, e eu que achei que era pra sempre, vi tudo se desfazendo dentro de mim.


Nossa, como você me dói, moça. Você insiste em dizer da tua dor, de tudo que vai enfrentar daqui pra frente. Eu sei, vai ser difícil, mais difícil do que vai ser pra mim. Porque você tem outras cargas contigo. Mas eu não posso mais te ajudar a carregar isso. Porque eu sinto como se estivesse matando algo dentro de mim a cada dia e não é o amor, sou eu mesma. Eu me deixei de lado e depois que isso acontece, acredite, nada mais consegue ser sadio. Eu não posso mais te dar o meu melhor porque eu já não estou bem. Por isso resolvi me retirar. E você não sabe como isso foi difícil. Você não sabe como eu relutei esse fim. Mas ele já estava ali, eu só estava fugindo dele.


Eu não te culpo, eu não tenho raiva, eu não te quero mal. Ao contrário, te desejo tudo de mais bonito, tudo que eu não posso mais te dar. Você foi uma das melhores coisas que me aconteceram. Você cuidou de mim como eu não sabia ser cuidada. Você esteve do meu lado cada vez que eu caí. Você me ensinou tanto... Eu não deixei de te amar,  mas o amor mudou. Os espaços entre nós duas ficaram grandes demais. Entendo sua raiva, entendo a culpa que você quer jogar em cima de mim, mesmo que sem intenção. Mas não vou ficar com ela. Eu sinto culpa sim, mas a minha culpa é por não te amar como antes. Por estar te fazendo sofrer. Por ver todo esses caos que vem junto com o fim que eu estou impondo. Mas eu sei a pessoa que fui pra você, eu sei que fiz o melhor que pude. Mas ainda assim, nem o meu e nem o seu melhor foram suficientes. 


Eu te desejo sol, te desejo sorrisos, te desejo amor, te desejo as coisas simples que eram as nossas preferidas e que te faziam tão feliz. Nunca vou te esquecer. Você sempre vai ser parte de mim. 

Eu vou seguir meu caminho, procurando arco-íris por aí. E como você já sabe, sempre vou estar aqui pro que você precisar, apesar e acima de.


Que seja doce, moça. E que a tempestade passe logo, porque estamos ambas sem guarda-chuva dessa vez.

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