É, moça, eu continuo com os mesmos vícios. Cigarro, livros, música, bebidas e pensar em você.
Parece que algumas coisas não mudam, né?
Parece que teu cheiro não foi embora e que teu gosto nunca vai sair da minha boca, muito menos tua lembrança da minha cabeça.
Tem dias que não penso em você, só que o não pensar não faz com que você saia de mim.
Já quis te esquecer, hoje não mais, tua lembrança é foda, não vou mentir, mas a parte boa há de ficar, sempre mais forte. A parte boa faz tudo o que vem junto valer a pena.
Lembra daquele céu lindo na varanda da nossa casa? Lembra da rede? Sempre lembro do som da tua risada.
Hoje o vento já não trás mais o teu cheiro pra mim, mas ainda assim eu não esqueço dele. Eu nem olhava pro céu, porque a estrela mais bonita estava do meu lado, no meu abraço, brilhando em mim.
Lembro da primeira vez que te vi, o primeiro beijo roubado, a primeira vez que fizemos amor.
Tudo tão bonito, moça, mas... sempre tem o “mas”. Tem as brigas, tem as culpas, tem as tristezas e tem o vazio, mas desse último eu não te culpo, ele sempre foi meu. Tem você sempre dando um jeito de ter suas vontades feitas, tem eu me omitindo pra te agradar. Tem tudo que deixei pra depois porque te pus na frente. Tem eu me sentindo cada vez mais só... tem a mágoa que se entrepôs entre a gente. A decepção. E essa, moça, eu confesso, depois que aparece, anula quase todo o resto.
Só eu sei o quanto você me doeu. Pensei que doía me deixar de lado por você, que doía engolir palavras e pensamentos pra não te machucar. Mas sabe o que doeu mesmo? Te dizer não.
Escolher o fim.
Nossa, eu pensei que não ia aguentar, que a qualquer momento ia correr atrás de você e te implorar pra voltar. Mas não. Eu percebi que aquela dor ia passar, enquanto a dor que eu sentia ao estar contigo era gradativa.
Você foi a minha história mais intensa. Arrisco dizer que foi a que mais me ensinou. Foi difícil dizer não quando tudo dentro de mim dizia sim. Mas foi necessário.
Ainda me pergunto se era amor, só nós sabemos o que sentimos, mas sinceramente, até hoje não sei definir. Talvez uma paixão daquelas loucas que você só vê em filme?
Paixão... é, acho que foi paixão, dessas avassaladoras, sabe? Que te tiram o tino.
Acho que amor é mais, amor é além e pro amor a gente não consegue dizer não.
Sabe, eu decidi não te escrever, mas sem perceber já estava escrevendo. Decidi não pensar mais em você, mas por força do hábito, talvez, eu acabei pensando.
E sabe quando alguém te faz muito bem e muito mal ao mesmo tempo? Era assim, é assim. Te lembrar é tão bonito, mas desperta sentimentos muito difíceis de lidar.
Acho que nunca vou te esquecer. Acho que por mais que eu tente, meu coração sempre vai insistir em te lembrar. Mas continuo afirmando que não era amor. Não, não era. Se fosse amor... ah, se fosse amor não tinha acabado. Mas acabou? E se acabou, porque não sai de mim? Porque ainda é pra você que escrevo? Porque ainda é em você que penso quando o vazio vem?
Mas como eu estava falando, sem devanear mais, se fosse amor, não teria acabado. E acabou. Eu fui pra um lado e você demorou, mas também foi pra outro. Amor acaba? Mas não, não era amor.
Às vezes, ainda procuro teus olhos por ai... sem querer ainda escuto tua voz na minha cabeça, mas hoje já não dói, hoje sinto outra coisa.
O vazio. E você.
Que não era amor, mas que até hoje não sai de mim.
(Fabi Tavares)


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