Eu não sei se você sabe, moça, mas existe o vazio. E esse vazio é o principal culpado dessa solidão. Ele é o que dói em mim, é o que não sei explicar, é o que me toma, arde, machuca. É o que não vai embora.
Ele chega assim, sem avisar, me invade, principalmente nessas noites frias. Eu olho pro lado, te vejo, mas não te sinto e é ai que percebo que já não sou mais só eu, a solidão veio visitar. Não sei se a mim ou ao vazio. Mas se faz presente.
Ultimamente, sinto tua falta, moça. Falta do que já fomos, falta do que achei que poderíamos ser. Me pergunto se sou eu que sinto tua/nossa falta ou se o vazio sente por mim. Será que eu sou ele? Ele está em mim. Confusão, apenas. No momento já não sei mais quem sou, mas sei quem ele é. E isso me assusta. Tenho medo de te/me perder.
Você e eu, costumávamos ser um só. Mas aprendi que a individualidade num relacionamento é vital, na verdade é o que nos mantém, me faz te redescobrir a cada dia. Acho que ele, o vazio, não conhece a individualidade. Ele chegou bem antes de você na minha vida e até hoje ainda não me deixa pensar, sentir ou ser, sozinho. Sempre interfere em tudo e eu cuido pra que não me tome, mas será que já tomou? Será que eu sou ele? Ele está em mim, entranhado.
Novamente, confusão.
Eu-O Vazio e Você. Somos três. Mas nessa história só cabem dois.
E agora, moça?
(Fabi Tavares)

4 comentários:
Fabi,
Acho que o fato de ter deixado pra ter inteira só agora, com mais calma, tinha um propósito. Esse texto é um relato muito similar a sentimentos que vivi no mês passado. Estou agora enxergando novas coisas de novos ângulos. Com o mesmo vazio acompanhando. Essa busca pelo preenchimento e pelo sentido é o que nos move. Só nos resta seguirmos.
Espero que os dias estejam mais amenos por aí nesse dezembro, mês de pura intensidade.
Um beijo grande. E obrigada, mesmo, por escrever.
Visitar os blogs que eu lia escondido em 2009 é um caminho sem volta.
Acho que voltar a escrever aqui também é, moço...
Eu que agradeço você, por sempre estar presente.
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